Luz com defeito

Eu já havia falado para o meu pai comprar uma lâmpada nova, mas ele não escuta. Sabe o quanto é chato ter que tentar dormir com a luz do seu quarto piscando a cada 5 segundos? É a coisa mais irritante do mundo! Bom, pelo menos para mim.

As prateleiras em cima da cama eram legais quando eu era pequena. Cheias de bonecas dos meus anos de meninice, várias delas. Vou dizer mesmo, não gostava das de plástico, eram muito sem vida. As de pano davam mais impressão de ter um esmero melhor quando feitas, mesmo com aqueles olhos de botão costurado e o sorriso rasgado que ficava ali independente do que fosse.

À medida que crescia, minha paixão foi passando de bonecas para os livros e então parte das minhas estantes também estão abarrotadas deles. E só uma das paredes do quarto ficava livre. A parede toda branca e limpa.

Na frente do meu quarto tinha o corredor e, passando o corredor, o quarto dos meus pais. Estavam dormindo. Vizinho ao meu tinha o do meu irmão.

Sabe aqueles momentos em que você está quase cochilando e alguma coisa ridiculamente barulhenta acontece só para lhe acordar? Não? Tá. Vamos mudar de figura. Quando você está quase dormindo e a maldita luz tem um curto, lampeja e te acorda? Também não? Ok. Só imagine que está quase dormindo aí alguma coisa acontece. No meu caso foi a campainha tocando.

Deu para ver o meu pai saindo do quarto dele e ligando a luz do corredor e indo em direção à porta. A luz ficou ligada e meu pai demorou muito para voltar. Mas depois de cerca de uns 5 minutos ele voltava pro quarto correndo. A luz ainda ligada.

Não ouvi barulho de arrombamento nem nada do tipo. Mas vi outra pessoa passando pelo corredor. Não era bem uma pessoa. Não enxerguei, eram braços longos que arrastavam no chão, com dedos pontudos e uma corcunda. Mas era consciente.

Entrou no quarto dos meus pais. Eu não ouvi gritos nem nada do tipo. Mas pouco tempo depois ele saiu. Arrastando os corpos nús pelo corredor e jogando eles de qualquer jeito no quarto.

Era melhor fingir que estava dormindo, talvez não me notasse.

Depois saiu para o corredor, a luz ligada.

Voltou com meu irmão, a garganta cortada. Ele apagou a luz do corredor, mas senti ele entrar no meu quarto, com um agouro de morte.

Soltou o corpo na minha cama. Foi para a parede branca e rasgou a pintura e marcou de sangue a parede. Foi para debaixo da cama.

Uma boneca caiu exatamente em cima de mim. E pude ver os olhos de botões dela me olhando de volta, com aquele sorriso que nunca sai do rosto. Cinicamente assassina.

A ansiedade estava me matando. E quer saber? Se é para morrer, talvez tenha valido a pena olhar a obra de arte do assassino. Nos intervalos, onde a lâmpada piscava e deixava o quarto claro, eu comecei a ler.

Uma palavra por vez.

Claro.

EU…

Escuro.

Claro.

…SEI…

Escuro.

Claro.

…QUE…

Escuro.

Claro.

…VOCÊ…

Escuro.

Claro.

…ESTÁ…

Escuro.

Claro.

…LENDO.

Escuro.


Este conto é uma releitura da Creepypasta “Eu sei que você está acordado”, os fatos e a história não correspondem ao conteúdo original, foram modificados e adaptados para a narrativa desta história.

 

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