As fotos do Circo Voador [2/8]

Mesmo sem admitir, Alexandre achava o Circo Voador fascinante. Provavelmente por ser um aglomerado de atrações que fazia tudo aquilo parecer meio parque meio circo.

Estandes e cabines eram postas lado à lado com uma espécie de caminho no meio que guiava à outros lugares, mas havia obviamente uma atenção especial à rota que levava à Grande Tenda, onde ocorriam os maiores espetáculos que se encerravam numa apresentação de mágica. Nos demais lugares, haviam bancadas elevadas onde halterofilistas levantavam pesos, uma parte com várias gaiolas onde alguns animais exóticos eram exibidos e um corajoso homem segurava um leão ( Alex tirou foto disso e, quando a imagem foi revelada algum tempo depois, escreveu na legenda: Hércules enfrenta o leão de Nemeia).

Pessoas se movimentavam de um lado para o outro, um pouco mais do que Alex esperava, muitas delas rindo ou observando tudo ao redor com olhares atentos. Para todos os rostos que Alexandre olhava, ele via pessoas aproveitando o momento. Os pais levando as crianças para aquela oportunidade única, as crianças segurando balões vendidos por um rapaz na entrada pareciam impressionadas com as barracas que viam por todos os lados.

Havia uma placa aberta no chão com a pintura de um homem grosteco com quatro antebraços, onde podia ser lido: Esteja na presença do Hecatonquiro moderno! Ingressos limitados! – Logo abaixo uma faixa vermelha dizia com letras pretas: Esgotado. Essa placa ficava logo ao lado do caminho que levava à Grande Tenda, onde haveriam as principais atrações. Alex tirou uma foto do caminho, enquadrando o anúncio da aberração e a entrada da tenda, na legenda ele escreveu: De shows de horrores à truques de mágica no picadeiro.

Assim que terminou de anotar a legenda da foto, ele a guardou na bolsa de lado, junto com a outra e subiu os olhos para procurar mais alguma coisa com a vista já atrás da lente.

Foi quando a viu.

Do outro lado da lente, uma mulher alta, de calças listradas na vertical nas cores branco e preto, ela o observava com um sorriso vermelho sem mostrar os dentes. Era careca e usava uma cartola sobre o rosto anguloso. Alex tirou a foto da mulher e ela veio falar com ele.

-Fotos são permitidas desde que não sejam tiradas dentro das tendas, Sr…

-Ícaro D’la Vista. – Ele preferiu omitir seu primeiro nome. – Eu sou jornalista, pode me responder algumas perguntas?

-Claro. – Ela respondeu, provavelmente acostumada à situações como aquela.

-Como se chama? Só para colocar nos créditos.

-Liz.

Alex esperava que ela fosse dizer o segundo nome, mas ela não acrescentou mais nada. E depois de um segundo de silêncio, ele fez as perguntas interessantes para uma matéria pequena.

-Ficaremos aqui até hoje de madrugada, partiremos antes do sol nascer. Provavelmente alguma cidade para o Leste, mas nós não temos um roteiro fixo. Sou assistente de truques de mágica.

Quando Liz foi embora, Alex pegou a foto da assistente e escreveu na legenda: A Beleza do Circo Voador.

Alexandre continuou seu caminho até a Grande Tenda no fim do caminho ladeado pelas outras atrações do circo/parque. Por detrás da Grande Tenda, havia a estrutura bizarra que dava ao Circo o nome de Voador. A construção era grandiosa e imponente, com alguns pedaços protuberantes e manchas, talvez de desgaste pelo tempo. Diversas hélices podiam ser vistas ao longo da extensão da nave, além de pequenas janelas colocadas nas laterais para pessoas de dentro das cabines olharem o lado de fora. Enquanto ninguém estava observando, o jornalista se esgueirou para detrás da tenda, para ter uma visão melhor.

Alex tirou uma foto da construção e legendou: Onde o Circo ganha nome.

A entrada para dentro da nave estava fechada com três cadeados que estavam provavelmente com o dono do Circo Voador, a pessoa que poderia entrar ali e perambular por todo o lugar. A pessoa que poderia vasculhar todos os cômodos. E Alexandre percebeu no que estava pensando. Estava deixando novamente seus pensamentos aventureiros tomarem o lugar de sua postura profissional. Mas o que poderia fazer? Ele sabia que dentro daquela embarcação voadora monstruosa, estariam pistas das crianças que sumiram.

Ele tirou uma foto da parte detrás da Grande Tenda. Havia uma abertura de onde quem estivesse nos bastidores poderia ir rapidamente até a embarcação, mas estava fechada e só poderia ser aberta por dentro. Não que alguma coisa impedisse alguém de tentar rasgar a tenda, mas Alex não saberia onde iria aparecer do outro lado se o fizesse. E qual seria o propósito disso? Invadir a Grande Tenda não tinha objetivo algum.

O jornalista estava se perguntando se naquele lugar não haveria segurança algum, quando uma mão pesada tocou seu ombro. Alexandre se virou com a câmera ainda levantada na altura da barriga e olhou para um homem um tanto mais baixo, acima do peso e uma expressão de curiosidade. Alex tinha certeza de que ele não era um segurança, mas era obviamente alguém da trupe circense.

-Posso ajudar? – Ele inquiriu.

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