As fotos do Circo Voador [3/8]

-Eu sou Ícaro D’la Vista. Jornalista, estou procurando o responsável pela organização do Circo.

O homem o olhou de cima à baixo, se demorando na câmera. Depois abriu um pouco o sorriso.

-Me chamo Foz, sou o homem que você procura, Sr. Ícaro. – Estendeu a mão para cumprimentar o visitante.

Alex não teve certeza se esse tal Foz percebera o que estava fazendo, ou se caiu na desculpa que ele acabara de inventar, mesmo que ela não fosse uma mentira completa, ele a formulou na hora.

-Ícaro, pode me acompanhar, por favor? Me desculpe, mas este lugar é apenas para o pessoal autorizado. – Ele indicou com o braço estendido o lugar para onde deveriam ir.

-Claro, Sr. – Alex seguiu Foz até a parte da frente da Grande Tenda.

Na falta de ideias, ele acabou por fazer as mesmas perguntas que fizera para a bela mulher que encontrou tempos atrás e obteve as quase as mesmas respostas, claro que a terceira foi diferente, já que Foz era o mágico e a mulher a assistente. No fundo, Alex torceu para o mágico e Liz não conversarem sobre uma entrevista com um jornalista. Ao fim da conversa, o dono do Circo perguntou.

-Diga-me, Ícaro, você virá à minha apresentação esta noite?

-É improvável, senhor Foz. Jornalistas não tem dias de folga ou tempo livre. – Ele riu um pouco, mas Foz riu bastante.

No fundo, Alexandre sentiu uma certa empatia pelo mágico gorducho e, por alguns instantes passou a duvidar da sua teoria de que o Circo Voador raptava crianças. Mas apenas estes instantes de dúvida, fizeram-no questionar se tudo aquilo era verdade ou não. Como poderia um homem simpático como aquele e uma moça bela como aquela, fazerem atrocidades como essas? Era improvável, mas talvez…

Interrompendo os devaneios do jornalista, Foz estendeu um par de ingressos para o homem, que ele tirou de algum lugar que Alex não fazia ideia.

-Assista minha apresentação hoje, Ícaro, tenho certeza de que irá se divertir e quero sair bem na matéria do jornal. – Ele arrumou um pouco o terninho que usava e sorriu entre as bochechas cheias. – Traga um amigo ou uma moça bonita, se quiser.

-Farei o possível, Sr. Foz. – Alex pegou o par de ingressos.

-Agora, se me dá licença, eu preciso ter certeza de que tudo está funcionando perfeitamente bem. – E saiu entrando na Grande Tenda, para arrumar seu espetáculo do dia.

Alex, se virou e caminhou para a saída do Circo prestando pouca atenção nas barracas e nas pessoas. Atravessou o “caminho” formado pelos estandes e saiu do lugar passando pelo rapaz que vendia balões na entrada.

.-.-.

Alexandre deixou suas fotografias legendadas e um papel de anotações que seriam publicados na tiragem da manhã seguinte no jornal, na mesa do chefe e encerrou seu expediente. Não esperou o chefe dizer que ele podia ir, simplesmente saiu. Com a câmera e tudo.

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