As fotos do Circo Voador [7/8]

Alex desceu as escadas de costas o mais rápido que pôde.

Estava de volta à sala de jantar grande. Era improvável que ele conseguisse chegar até o outro lado da sala sem ter que correr e o tecido não cobria toda a mesa. Só havia uma saída disponível.

Com os passos mais largos e leves que podia, Alex chegou até a porta e a abriu de uma vez, sem pensar duas vezes, se houvesse alguém ali, seria seu fim. Fechou a porta atrás de si o mais rápido que pode e se escorou nela.

Do lado de dentro, ele observava uma cozinha. Não estava suja, para a surpresa dele, estava até certo ponto cheirosa, mas havia um cheiro de carne vindo de algum lugar.

Havia uma série de panelas empilhadas em um canto próximo a um conjunto de panos de prato. Sem contar com um fogão na parede do lado direito. A cozinha possuía uma abertura para uma outra instância, Alex foi até lá observar o que era. Uma geladeira grande, uma série de armários com portas de vidro e algumas panelas absurdamente grandes.

O que fazia sentido, já que era um grupo obviamente gigantesco que vivia ali no circo.

Em um dos armários, Alex viu cutelos, facas, garfões, serras e colheres. Ficou tentado a pegar mais uma arma de defesa, mas sua atenção foi tirada por uma porta prateada que estava escondida pela parede que fazia a divisória das instâncias.

Alexandre andou respirando fundo até ela e, ao tocar a maçaneta, sentiu a mão congelar. A porta inteira estava muito fria, como se o ambiente atrás dela fosse um frigorífico. Ele girou a fechadura e ouviu um “clique”. A porta se abriu para o lado de fora e uma rajada de ar frio rugiu em seu corpo, fazendo o suor que se acumulou na roupa parecer mais frio.

Mas o cômodo estava muito escuro e Alexandre não fazia ideia de onde ficava o interruptor. Ele escutou um barulho estranho, como correntes.

O Circo Voador tem fantasmas.

Talvez o flash da câmera iluminasse o lugar e Alex tivesse uma visão.

Ele levantou um pouco a câmera com a outra mão e apertou o gatilho. Uma luz branca iluminou todo o quarto e Alex arregalou os olhos.

Ele realmente vira aquilo?

Quantas pessoas estavam ali? Algumas fileiras de pessoas apareceram quando a luz do flash apareceu.

Alex correu para o lado de fora arfando. Fechou a porta atrás de si.

Sim, O Circo Voador tem fantasmas.

E eles estavam correndo atrás do jornalista D’la Vista. A foto iria revelar as assombrações? No fundo, Alex torcia para que sim. Se ao menos os desaparecidos não fossem obra do Circo, uma atração itinerante assombrada ainda podia ser uma notícia.

Ele segurou o papel com um quadrado preto enquanto esperava o resultado. Alexandre se encostou na parede e começou a deslizar. Até estar sentado contra a porta da sala fria e assombrada. Ele olhou de novo a fotografia.

Não eram fantasmas, na verdade.

Diversas correntes pendiam do teto, com ganchos nas pontas segurando objetos pesados e leves.

Na primeira fila, Alexandre pode ver muito bem o rosto de um menino magrelo dormindo, desmaiado ou morto, ele não saberia dizer. Os braços estavam amarrados à uma tira que o prendia ao gancho. O peito desnudo exibia as costelas do garoto e a pele branquíssima. Em outras filas, meninas também em situações parecidas, jovens quase adolescentes, mas a maioria crianças indefesas estavam presas aos ganchos, algumas com hematomas, outras cortes.

Um grito de horror parou na garganta de Alex e se transformou em lágrimas enquanto ele cobria a mão e observava a foto macabra.

No fundo, dois pontos do mesmo tamanho brilhavam. Alex estava acostumado com aqueles pontos, acontecia quando o flash da câmera refletia nos olhos de alguma pessoa, em fotos tiradas no escuro era comum as pessoas ficarem com olhos brancos.

Mas ele não saberia dizer de quem eram os olhos.

Alexandre pensou em entrar ali dentro e tirar os corpos, mas seria impossível tirar todos sem que ninguém percebesse, além do mais, seu corpo não era atlético e ele talvez não lembrasse todo o caminho de volta.

Eu vou voltar pra salvar vocês! Eu vou!

Alex se levantou com as pernas bambas e foi até o armário onde viu o cutelo e os outros utensílios de cozinha. Virou o martelo e bateu contra o vidro para quebrá-lo e pegar um objeto cortante.

Segundos antes do vidro se espatifar e quebrar, ele percebeu que na confusão do armário, trocara de armas e pegou o pequeno machado ao lado do martelo. Ficou feliz, de certa forma, já que agora ele possuía duas armas brancas.

Quando o vidro terminou de se estilhaçar, ele meteu a mão dentro do armário e tirou uma faca que julgou amolada o bastante.

Alex não se importava tanto agora em ser visto, ele só queria fugir e contar à polícia o tipo de monstruosidades que faziam ali. As pessoas que estavam presas naquele lugar e, Deus do céu, que tipo de coisas poderiam fazer com elas!

Ele saiu da cozinha e viu a sala de jantar com duas pessoas próximas ao corredor de onde Alex viera.

Um era um homem de feições asiáticas e uma roupa de cozinheiro com abotoaduras vermelhas. O outro era um homem careca e forte com uma barba e camisa vermelha apertada. Os dois pararam de brigar quando perceberam a figura do jornalista.

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