fotos

As fotos do Circo Voador [8/8]

O primeiro impulso de Alexandre foi correr para a escada, onde ele esperava não haver ninguém. E em disparada os dois homens correram atrás dele gritando obscenidades e ameaças como “É melhorar parar antes que a gente quebre suas pernas!” ou “Volta aqui seu magrelo!”.

Alex subiu as escadas e correu pelo corredor sem perceber as portas fechadas ou abertas que o ladeavam. O som dos passos pesados do homem grande o seguiam e os gritos do asiático chegavam aos seus ouvidos.

Merda! Puta que pariu!

No fim desse corredor havia uma escada grande em um ângulo quase reto. Alexandre subiu nela com um fôlego que ele não sabia de onde havia tirado. Talvez da vontade de fugir e as substâncias liberadas pelos hormônios.

Quando ele ia chegando no final, percebeu que podia observar o céu noturno e a lua. Tomou um novo impulso e chegou até a parte de fora do Circo Voador, foi até a amurada com a intenção de pular e ficar livre das garras dos seus perseguidores que, em breve, iriam chamar o resto de seus companheiros. (mais…)

Anúncios

As fotos do Circo Voador [7/8]

Alex desceu as escadas de costas o mais rápido que pôde.

Estava de volta à sala de jantar grande. Era improvável que ele conseguisse chegar até o outro lado da sala sem ter que correr e o tecido não cobria toda a mesa. Só havia uma saída disponível.

Com os passos mais largos e leves que podia, Alex chegou até a porta e a abriu de uma vez, sem pensar duas vezes, se houvesse alguém ali, seria seu fim. Fechou a porta atrás de si o mais rápido que pode e se escorou nela.

Do lado de dentro, ele observava uma cozinha. Não estava suja, para a surpresa dele, estava até certo ponto cheirosa, mas havia um cheiro de carne vindo de algum lugar.

Havia uma série de panelas empilhadas em um canto próximo a um conjunto de panos de prato. Sem contar com um fogão na parede do lado direito. A cozinha possuía uma abertura para uma outra instância, Alex foi até lá observar o que era. Uma geladeira grande, uma série de armários com portas de vidro e algumas panelas absurdamente grandes.

O que fazia sentido, já que era um grupo obviamente gigantesco que vivia ali no circo.

Em um dos armários, Alex viu cutelos, facas, garfões, serras e colheres. Ficou tentado a pegar mais uma arma de defesa, mas sua atenção foi tirada por uma porta prateada que estava escondida pela parede que fazia a divisória das instâncias.

Alexandre andou respirando fundo até ela e, ao tocar a maçaneta, sentiu a mão congelar. A porta inteira estava muito fria, como se o ambiente atrás dela fosse um frigorífico. Ele girou a fechadura e ouviu um “clique”. A porta se abriu para o lado de fora e uma rajada de ar frio rugiu em seu corpo, fazendo o suor que se acumulou na roupa parecer mais frio. (mais…)

As fotos do Circo Voador [6/8]

O objetivo de Alexandre era entrar ali e provar para ele mesmo que havia (ou não), algo de errado com o tal do Circo. E a adrenalina o fez seguir em sua empreitada e em sua invasão à nave, mas depois do susto e da sensação de pânico, outros pensamentos tenebrosos passaram a atacar sua mente. Ele estava sozinho em um quarto escuro apenas com suas reflexões e isso é a melhor forma de se sentir mal.

E se por algum motivo o Circo simplesmente saísse voando e ele tivesse como descer? E se o encontrassem? Alex achava muito improvável que eles fossem parar, dar meia-volta e lhe deixar novamente no lugar de onde saíra. Talvez Liz o convidasse para sua cabine. Mas esse pensamento foi descartado, apesar de tentador.

E se realmente houvesse alguém vil na trupe? Alguém que não soubesse que Alexandre Ícaro D’la Vista era um cara legal que dera uma flor para Liz? O que ele iria dizer se o encontrassem? “Me desculpem, eu estava procurando crianças sequestradas, vocês viram alguma?” ou “Eu queria tirar umas fotos daqui de dentro para colocar no jornal.

E o que eles diriam quando o encontrarem? Talvez algo como: “Ora, ora, ora, eu sabia que esse jornalistazinho metido a besta estava bisbilhotando a gente.” Ou quem sabe: “Você pode tentar pular, se sobreviver, estará livre”. Mas nada de: “Vamos para minha cabine, Ícaro.

Alexandre se pegou pensando qual seria a reação das pessoas se ele sumisse. Se Maurício iria chorar, se seus pais iriam voltar a conversar para se consolarem, se o velho Jonas iriam deixar alguma coisa entrar em seu coração de gelo, até mesmo se a atendente do café perto do jornal iria notar sua falta.

Ele ouviu algumas palavras, mas estava ignorando a maioria, até ouvir cadeiras sendo arrastadas. Madeira sobre madeira. Alex voltou a ficar atento à conversa, tentando afastar esses fantasmas em que pensava. (mais…)

As fotos do Circo Voador [5/8]

A primeira ideia que Alex teve quando entrou na nave, foi que ela era, na verdade, um labirinto monstruoso. Ele não fazia ideia de onde estava. E tinha medo de que se fosse muito adiante, não iria encontrar a saída nunca mais.

Alexandre andou vários metros em vários corredores que pareciam o mesmo para ele, vez ou outra ele via alguma cabine minúscula aberta e espiava para dentro com o coração na mão, esperando que pulasse um palhaço maldito ou um homem musculoso para pegá-lo.

Em uma das cabines, ele olhou um homem grande deitado sobre uma mesa ou escrivaninha, ele não soube se estava acordado ou não.

Em outra, ele viu um homem dormindo em uma minúscula cama espremida dentro do cubículo. E as cabines trancadas se seguiram por vários minutos, até o primeiro indício de som chegou até os ouvidos de Alex, mas ele ainda não compreendia o que escutava.

As palavras vinham difusas e ele escutava coisas como “cansado” ou “fome”, teve certeza de que alguém estava escolhendo o que comer. Alexandre se deixou guiar por esses sons e foi andando curvado fazendo o mínimo de barulho possível para as tábuas do chão não gritarem com seu peso. Ele apoiou as mãos nas paredes enquanto andava e quando estava chegando na esquina do corredor, percebeu que estava bem próximo da fonte dos sons. (mais…)